quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Luz

Olhos perolados de esperança e paz. A criança voltara a viver depois de tantos anos escondida? Talvez o simples presente de sua presença houvesse a suscitado. Não.

Frio. Complexidade. Mais frio. Estava sentado certo entardecer no meu quarto de alquimia. Observava a magia. O poder do sol em mover a sombra para onde ele quisesse. Arrastava cada um dos efeitos desiluminados dos objetos sobre a escrivaninha. Entrava imponente pela janela atravessando o vazado das rendas da cortina pouco rasgada.

Era bonito. Mais me fez pensar sobre os olhos daquela criança que me era ao vê-lo pela primeira vez. Era feliz.

Os objetos pareciam se mover com a ilusão de ótica que tal movimento do sol criara. Não. Algo mais? O sol não se moveria tão rápido. Sim. Era apenas o sol. E o que mais?

Me fez refletir.

Era manhã. Acordava. O sol ia nascendo e a mesma janela já não o podia vê-lo. Mais ele entrava pelo outro lado do quarto, o qual se jogava como se pintasse as paredes com as sombras dos objetos daquela escrivaninha.

Teríamos de ser vidro para que não houvesse escuridão. O sol lá estava fazendo seu papel. De iluminar toda terra. Mais os obstáculos criavam as trevas.
Então já havia respondido a questão.

Pensava. Enquanto olhava o entardecer.

Logo dois dias se passavam. E percebo que conviver sem trevas é ruim.
Era só eu. No centro do meu quarto vazio e limpo. Desmobiliado.

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