Procurar inspiração.
Para um poeta, não ter no que pensar ou não ter o que passar se não é a pior coisa, essa esta muito perto de ser.
Tentar escutar no silêncio a voz dos que possam de alguma forma inspirar o coração dos que ferozmente busca sentir. Não por não sentir, mais por já ter sentido tudo que deveria, porém, ainda não estar satisfeito.
Já ter refletido, sobre o amor, sobre a vida. Sobre os “poréns”, sobre o valor do corpo e do sexo. Já ter sido romântico em meio a promíscuos, e achado prazer em poeminhas infantis.
E agora procurar, uma inspiração. Um suspiro de idéias, um fogo que consumisse uma ultima vez ou se não fosse pedir muito; ressuscitar a criatividade. Sem sonhar mais, sem cantar mais, não poder respirar sem dor. Afinal, para um poeta não sentir é morrer de si enclausurado no porão da dor, cercado por guardiões do inferno que o acusam sem dó.
E após, todos terem o esquecido. Ou os que lembraram te diziam sobre você não ter sido generoso e solidário quando vivo. Enfim, e após isso. Uma fresta de luz é aberta no que sobrou de sua alma. E a indagação sobre os preceitos do universo, surgirem como fênix do pó. Ressurgindo nas cinzas da morte, no obscuro pensar e em nossos pesadelos.
O abstrato de seu rosto derrete. Deleita-se e risca o papel pálido. O papel que é o interior dos que não sentem, e sentir-se vivo quando escreve. Pois, seu interior não é mais um papel em branco, tem letras que o rabiscam agora. E quando escreve, tem sentimento de novo. E correm lágrimas dos olhos para que alegrasse o poeta.
A indagação, do por que não sente mais. Afinal, dor também é sentimento, e sofrimento é virtude para os que não sentem nada.
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