Salvem-me. Preciso da salvação. Existem fantasmas nas arestas. Ouço crianças pedindo socorro no sufoco de suas almas, no sufoco de seus choros desesperados e dos gritos de clemência. Sufocadas pelas arestas.
É como estar dentro de um diamante lapidado genuinamente. É como estar com as crianças dentro de algo com tantas arestas que perdemo-nos contando tais dobrinhas que formam caixas, salas e prisões.
Ouço as vozes das suas almas, vejo seus sangues puros e ingênuos de crianças inocentes escorrendo pelas paredes da minha mente que me prendem num sufocante quarto onde o branco é tão azul que chega a ser verde, e o som é tão legível quanto o significado das linhas que escreviam aquele momento.
O bater das asas dos anjos se podiam escutar, estavam longe. Mais o silencio era tão perturbados que forçava-nos a buscar os sons dos cantos góticos dos anjos.
Belíssimos tenores, que badalavam com azas esbeltas e corpos definidos. As arestas o forçam a apaixonar-se por eles. E eles cantam em sincronia invejada.
Os poucos barítonos, escreviam melismáticas nas tabulas e partituras que levavam as mais santas canções escritas para o Criador. Os baixos cantavam também, anunciavam com trombetas o momento que as arestas da prisão que me prendiam se rompem, pois, na presença das flores tocadas somente por Cristo nada é preso. E naquele momento não eram as flores.
Cristo se lembrará de mim. Ele me veio ver. Mais que honra essa será minha? Se a falta de dignidade minha havia me prendido com os fantasmas que gritavam: sacrifício.
Mais agora existe liberdade. As arestas se romperam, o diamante era vidro. Agora as flores me reconhecem como um dos filhos do Deus todo poderoso. Eu ainda não entendo por que ele me abraça. Mais não me importa o porquê, eu não entenderia sua grandeza e majestade, nem que estudasse mil eternidades.
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