segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entrelinhas VS Objetividade

Num dia desses, um desses que acordamos e tomamos nossos cafés, olhamos em nossa volta e tudo está quieto de mais, como se o volume de todas as coisas tivessem sido abaixados com um daqueles superes controles remotos, dando-nos a impressão que estamos dentro da água.

Num desses dias em que parece que tudo está exatamente onde deveria estar, afinal, estava daquele jeito no dia anterior, e no anterior daquele também. Decidi olhar em minha volta e acreditar que eu conseguiria ser menos objetivo em absolutamente tudo que faço, escrevo ou canto. Eu aprendi coisas enquanto pensava, e, descobri que meus amigos conseguem esconder os significados de tudo que escrevem em suas entrelinhas. Mas que isso talvez não os tornava menos objetivos em seus pensamentos.

Era uma manhã chuvosinha, de miudezas que apareciam e desapareciam, como se em num instante eu me importasse com os detalhes, mas depois, logo depois, tudo fosse insignificante novamente. O som da chuva, os arranhõezinhos nos móveis e o brinquedinho da cadela no canto da sala onde costumava estar.

Eu estava sentado na cadeira de balanço da minha avó, e segurava uma caneca vazia na mão. A cadeira e a caneca eram para mim naquele instante, objetos que me levariam mais perto dos meus pensamentos, ou apenas eu sabia que eu pareceria um pensador se alguém me olhasse tomando alguma coisa numa caneca de porcelana olhando para o teto e balançando na cadeira rústica que estava bem no meio da sala. Talvez só pela aparência a caneca estivesse lá, afinal, não gosto nem de café, e, nem de chá.

Não rimo, não sinto, não pretendo mudar a humanidade, não escondo fatos ou pensamentos nas entrelinhas só me esvazio num papel quanto tenho vontade, assim como qualquer egoísta faria. Eu era um alquimista ermitão novamente. Nunca li Paulo Coelho se perguntam-se ou afirmam-se, acho que ele fala de alquimista de mais. Gosto de ler Tavares, as entrelinhas sempre me guardam coisas especiais. Gosto da objetividade de Rubem Braga e de Mario Quintana, mas um dia eu achei ter subentendido alguma coisa de suas entrelinhas e talvez tenha ignorado, tentando acreditar que alguém muito bom no que faz acreditasse na magia da objetividade, como eu.

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